5 sinais de que a audição do seu filho merece atenção
Nem sempre uma criança consegue dizer que está com dificuldade para ouvir. Muitas vezes, ela simplesmente se adapta: pede para repetir, aumenta o volume da televisão, observa mais o rosto de quem está falando ou parece não prestar atenção quando é chamada.
Por isso, alguns sinais de alteração auditiva podem ser confundidos com distração, desobediência ou até mesmo uma fase do desenvolvimento.
Isso não significa que todo comportamento desse tipo indique uma perda auditiva. Mas, quando esses sinais aparecem com frequência ou começam a interferir na comunicação e na rotina, vale conversar com um profissional de saúde e investigar.
1. Seu filho pede para repetir muitas vezes
“Como?”, “o quê?” e “fala de novo” podem fazer parte de qualquer conversa com uma criança. O sinal de atenção está na frequência com que isso acontece.
Quando a criança parece ouvir em alguns momentos, mas tem dificuldade para entender o que foi dito em outras situações, principalmente quando há outras pessoas falando ou algum ruído no ambiente, pode ser importante observar mais de perto.
Nem sempre a dificuldade está em ouvir um som. Em algumas situações, a criança pode até perceber que alguém falou, mas não conseguir compreender claramente a mensagem.
2. Ele não responde quando é chamado
Uma criança que não responde ao próprio nome pode simplesmente estar concentrada em uma brincadeira, assistindo a um desenho ou envolvida em alguma atividade.
Mas é importante perceber se isso acontece repetidamente e em diferentes situações.
Também vale observar se a resposta muda dependendo da distância, do ambiente ou da forma como a criança é chamada. Se ela responde quando vê quem está falando, mas frequentemente não reage quando é chamada de costas, por exemplo, esse comportamento merece atenção.
3. O volume da TV ou dos dispositivos está sempre muito alto
Toda família tem aquela criança que gosta de aumentar o volume. Isoladamente, isso não diz muita coisa.
Porém, quando o volume permanece frequentemente mais alto do que o das outras pessoas da casa ou quando a criança parece precisar de mais intensidade sonora para acompanhar programas, vídeos ou jogos, é interessante observar o comportamento ao longo do tempo.
Mais importante do que comparar o volume com um número específico é perceber uma mudança em relação ao padrão habitual da criança.
4. Ele tem dificuldade para entender quando há barulho
Esse é um sinal que pode passar bastante despercebido.
Em um ambiente silencioso, a criança pode acompanhar uma conversa normalmente. Já em uma sala de aula, no recreio, em uma festa ou em uma reunião com várias pessoas falando, pode começar a demonstrar mais dificuldade para entender o que está sendo dito.
Ela pode pedir que repitam, observar mais atentamente o rosto de quem fala ou simplesmente deixar de participar da conversa.
A capacidade de compreender a fala depende não apenas de perceber os sons, mas também de conseguir identificar e organizar aquilo que está sendo ouvido, especialmente em ambientes mais complexos.
5. Existem dificuldades relacionadas à fala e à linguagem
A audição tem participação importante no desenvolvimento da comunicação. Por isso, alterações na forma como a criança percebe os sons podem, em alguns casos, estar relacionadas a dificuldades para desenvolver ou reproduzir determinados sons da fala.
Isso não significa que uma dificuldade de fala seja necessariamente causada por uma alteração auditiva. Existem diversas razões para uma criança apresentar dificuldades de linguagem ou articulação.
Mas, diante de uma preocupação com o desenvolvimento da comunicação, investigar também a audição pode fazer parte de uma avaliação adequada.
Um sinal isolado não conta toda a história
É importante não transformar esses comportamentos em um checklist de diagnóstico.
Uma criança pode pedir para repetir porque estava distraída. Pode aumentar o volume da televisão porque gosta de ouvir mais alto. Pode não responder quando é chamada porque estava concentrada em uma brincadeira.
O que merece atenção é a frequência, a repetição e o contexto desses comportamentos.
Também é possível que uma criança tenha dificuldade auditiva e ainda assim consiga acompanhar boa parte das situações do cotidiano. O cérebro encontra maneiras de utilizar pistas visuais, contexto e outras informações para ajudar na compreensão.
Por isso, perceber que algo mudou na rotina da criança é um bom motivo para conversar com um profissional, mesmo quando não existe uma queixa clara de “não estou ouvindo”.
E quando procurar ajuda?
Se familiares, professores ou outros adultos que convivem com a criança perceberem comportamentos persistentes relacionados à audição, o ideal é buscar uma avaliação individualizada.
O profissional poderá entender o histórico da criança, suas características de desenvolvimento e, quando necessário, indicar os exames adequados para investigar como ela está ouvindo.
Quanto mais cedo uma possível alteração for identificada, mais cedo a família poderá entender o que está acontecendo e receber as orientações necessárias.
Mais do que esperar a criança dizer que não está ouvindo bem, vale prestar atenção naquilo que ela demonstra no dia a dia.
Porque, muitas vezes, a criança não sabe explicar que está ouvindo diferente. Ela apenas encontra uma maneira diferente de participar do mundo ao redor.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo e não substitui uma avaliação individualizada. Os sinais apresentados não significam, isoladamente, que a criança tenha perda auditiva. Em caso de dúvida ou preocupação com a audição, fala ou desenvolvimento da criança, procure um médico, como o otorrinolaringologista, para avaliação adequada.









